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Se eu parar de tomar Mounjaro (tirzepatida), engordo de novo?
No principal estudo sobre isso, quem parou o Mounjaro (tirzepatida) recuperou boa parte do peso perdido. Veja o estudo e por que parar é com o médico.

Neste artigo
Na média, sim: no principal estudo sobre o assunto, quem parou o Mounjaro (tirzepatida) recuperou boa parte do peso que tinha perdido. Mas tem contexto, e ele importa.
O estudo que testou parar o Mounjaro
O nome é SURMOUNT-4. Ele está descrito na bula aprovada pela Anvisa e foi publicado em 2024 numa revista médica americana, a JAMA.
Antes de olhar o resultado, veja quem fez e como:
- Quem pagou: a fabricante do remédio. Ela também ajudou a desenhar e conduzir o estudo.
- Onde: em 70 centros de quatro países: Argentina, Brasil, Taiwan e Estados Unidos. Ou seja, não é um estudo brasileiro, embora o Brasil tenha tido centros no estudo.
- Quem participou: 783 adultos com obesidade, ou com sobrepeso e mais algum problema de saúde ligado ao peso, como pressão alta. Quem tinha diabetes tipo 2 ficou de fora.
- Quanto durou: 88 semanas, quase um ano e oito meses.
Como o estudo foi feito
Foram duas fases.
- Primeiras 36 semanas: todo mundo usou o remédio, até chegar à maior dose que cada um tolerava.
- As 52 semanas seguintes: 670 pessoas foram sorteadas em dois grupos. Metade continuou com o remédio. A outra metade trocou, sem saber, para placebo (uma injeção sem remédio).
Nas duas fases, todos foram orientados a comer menos calorias e se mexer mais.
O que aconteceu
Segundo a bula, quem continuou com o remédio manteve a perda de peso e, na média, continuou perdendo.
Já no grupo do placebo, a bula descreve “um reganho de peso corporal substancial”. Em palavras simples: na média, o grupo recuperou boa parte do que tinha perdido.
Um detalhe que a bula também registra: mesmo assim, o peso médio de quem foi para o placebo terminou abaixo do peso do começo do estudo.
E não foi só o peso. O artigo do estudo conta que, em quem trocou para placebo, boa parte da melhora nos fatores de risco do coração e do metabolismo também se perdeu.
Isso vai acontecer comigo?
Não dá para saber. Esses resultados são médias de um grupo, não uma previsão para cada pessoa.
E o estudo tem limites, que os próprios autores apontam:
- Só seguiu para a segunda fase quem aguentou uma das duas doses mais altas do remédio. Esse grupo pode não representar todo mundo.
- Depois do sorteio, a dose não podia ser ajustada.
O que a diretriz brasileira diz
A Abeso, sociedade brasileira de obesidade, chega a uma conclusão parecida. Ela diz que recuperar peso “é comum” depois de parar os remédios para obesidade.
A diretriz diz que, como na pressão alta e no diabetes, o bom resultado do remédio depende de continuar usando. Ela também pede que o médico explique que o remédio pode precisar ser contínuo para a maioria das pessoas.
E diz mais: hoje não há estudos sólidos de outra estratégia para manter o peso perdido sem o remédio.
E como se para?
A bula não traz regra de redução aos poucos nem diz por quanto tempo usar. Ela prevê que, se o peso não baixar o esperado depois de alguns meses na maior dose que a pessoa tolera, o médico avalie se vale continuar.
O que ela diz com todas as letras é: não interrompa o tratamento sem o conhecimento do seu médico.
Pensando em parar? Converse antes
Qualquer que seja o motivo, ele merece ser ouvido. Leve a sua dúvida para a consulta. O médico conhece o seu caso e ajuda a planejar o próximo passo, com ou sem o remédio.
Conteúdo educativo. Não substitui consulta. Quem decide o tratamento é o seu médico.
Este texto foi escrito com ajuda de inteligência artificial e revisado contra as fontes listadas abaixo.
De onde veio cada informação
- Bula da tirzepatida (Mounjaro, Lilly) para o profissional de saúde, caneta de uso único, seção 2 (estudo SURMOUNT-4), aprovada pela Anvisa (CDS12FEV26; histórico até 13/05/2026)
- Bula da tirzepatida (Mounjaro, Lilly) para o paciente, caneta de uso único, seção 6, aprovada pela Anvisa (CDS12FEV26; histórico até 13/05/2026)
- Aronne LJ e colegas. JAMA 2024;331(1):38-48, estudo SURMOUNT-4 (pago pela Eli Lilly; feito na Argentina, Brasil, Taiwan e EUA)
- Abeso, Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade, 5ª edição, 2026
Revisado em 27/10/2026 por equipe VytaSlim. Como trabalhamos.