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Mounjaro precisa de receita? E o Ozempic?

Sim. Desde 23/06/2025, a farmácia retém a receita dos remédios GLP-1. Que receita é, quanto tempo vale, por que existe e o que diz o SUS.

4 min de leitura9 fontesRevisado em 27/10/2026

Neste artigo
  1. A regra da Anvisa
  2. Que tipo de receita é
  3. Quanto tempo vale
  4. Por que a regra existe
  5. Existe versão sem receita?
  6. E pelo SUS?
  7. Resumindo

Sim, o Mounjaro (tirzepatida) precisa de receita, e o Ozempic e o Wegovy (semaglutida) também. Desde 23 de junho de 2025, a farmácia fica com uma via da receita na hora da venda.

A própria bula da tirzepatida diz, no fim: “venda sob prescrição - com retenção da receita”.

A regra da Anvisa

A decisão foi da diretoria da Anvisa, em 16 de abril de 2025. Virou norma em duas peças, as duas de 23 de abril de 2025 e publicadas no Diário Oficial em 24 de abril:

  • a RDC nº 973/2025, que mudou a regra que já valia para antibióticos (a RDC 471/2021);
  • a Instrução Normativa nº 360/2025, que lista os remédios.

As duas entraram em vigor 60 dias depois, em 23/06/2025.

Quais remédios entram? Os agonistas de GLP-1 (remédios que imitam o GLP-1, um hormônio do intestino ligado à saciedade). A norma lista semaglutida, liraglutida, dulaglutida, tirzepatida e lixisenatida.

Que tipo de receita é

É a receita comum do médico. A Anvisa diz que não existe modelo especial: vale o receituário do próprio médico ou da clínica.

O que muda é que ela precisa vir em duas vias, ou seja, dois exemplares. Uma fica na farmácia. É o mesmo esquema que já existia para os antibióticos.

A receita precisa ter, de forma legível e sem rasura:

  • seu nome completo, idade e sexo;
  • o nome do remédio pelo princípio ativo, a dose ou concentração, a forma, como usar e a quantidade;
  • os dados do médico, com assinatura e carimbo;
  • a data.

Ela também pode ser eletrônica, desde que tenha a assinatura digital do médico do tipo que a lei exige.

Quanto tempo vale

90 dias, contados da data em que o médico escreveu a receita.

Em tratamento longo, a receita diz quanto usar a cada 30 dias. Dá para comprar de mês em mês dentro desses 90 dias, ou tudo de uma vez. Em qualquer caso, pelo menos uma via fica retida.

Por que a regra existe

A Anvisa explicou: foi visto um número alto de efeitos adversos ligados ao uso desses remédios fora das indicações aprovadas. E, comparado com os dados do mundo, o Brasil teve muito mais avisos desse tipo.

No voto, o diretor Rômison Rodrigues Mota disse que estimular o uso só por estética, com promessas de emagrecer rápido e sem acompanhamento médico, “coloca em risco a saúde dos usuários”. E lembrou que são remédios novos, cujo perfil de segurança a longo prazo “ainda não é totalmente conhecido”.

Ou seja: a receita retida não é burocracia por burocracia. É para que alguém avalie se o remédio faz sentido para você.

Existe versão sem receita?

Não existe versão sem receita que seja segura.

  • Farmácia de manipulação não é atalho: também exige indicação e receita médica, diz a Anvisa.
  • Pó vendido na internet, para misturar e injetar em casa, não passou por avaliação nenhuma. A Anvisa diz que é “impossível comprovar o básico”: se o remédio está mesmo ali. E que injetar algo que não é estéril pode virar infecção grave.
  • Caneta vendida em perfil de rede social, sem registro: sobre canetas assim, vendidas em perfis do Instagram, a Anvisa disse que “não há nenhuma garantia sobre o seu conteúdo ou qualidade” e que esses produtos “não devem ser usados em nenhuma hipótese”.

E pelo SUS?

Até 27/10/2026, não encontramos nenhum desses remédios incorporado ao SUS para tratar obesidade. Em 20/08/2025, a Conitec (a comissão que avalia o que entra no SUS) manteve o “não” à semaglutida para um grupo de pessoas com obesidade grave e doença do coração, principalmente pelo custo. Em 15/09/2025, uma portaria do Ministério da Saúde tornou pública a decisão de não incorporar a liraglutida para obesidade com diabetes tipo 2. Em 24/09/2026, o próprio Ministério pediu à Conitec uma nova análise de semaglutida ou liraglutida para obesidade. Não encontramos decisão sobre esse pedido, nem avaliação da tirzepatida na Conitec.

Resumindo

Mounjaro, Ozempic e Wegovy só saem da farmácia com receita, que fica retida e vale 90 dias. O caminho seguro começa numa consulta. Converse com o seu médico.

Conteúdo educativo. Não substitui consulta. Quem decide o tratamento é o seu médico.

Este texto foi escrito com ajuda de inteligência artificial e revisado contra as fontes listadas abaixo.

De onde veio cada informação

  1. Anvisa, "Medicamentos agonistas GLP-1 só poderão ser vendidos com retenção da receita", 16/04/2025 (modificada 23/04/2025)
  2. Anvisa, Perguntas e Respostas sobre a comercialização dos agonistas do receptor do GLP-1 (RDC 973/2025 e IN 360/2025), 1ª edição, junho de 2025
  3. Anvisa, Instrução Normativa nº 360, de 23/04/2025, art. 2º (lista dos agonistas de GLP-1 e validade da receita), texto no Anvisalegis
  4. Bula da tirzepatida (Mounjaro, Lilly) para o paciente, dizeres legais, aprovada pela Anvisa (CDS12FEV26; histórico até 13/05/2026)
  5. Anvisa, "Manipulação caseira de tirzepatida NÃO é segura", 23/09/2026
  6. Anvisa, lotes de tirzepatida das marcas Synedica e TG proibidos (RE 214/2026), 21/01/2026
  7. Conitec, Relatório de Recomendação nº 1033, semaglutida, decisão final de 20/08/2025
  8. Conitec, Portaria SECTICS/MS nº 67, de 15/09/2025 (liraglutida)
  9. Agência Gov, Ministério da Saúde pede à Conitec análise das canetas para o SUS, 24/09/2026

Revisado em 27/10/2026 por equipe VytaSlim. Como trabalhamos.